"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Exposições

Exposição coletiva "Praia, Arte and Love"

Através de instalações, esculturas, imagens, objetos e desenhos, os artistas convocam a praia como um espaço de especulação e transformação.

11 Abr a 14 Jun 2025

Galeria Alfaia
R. Brites D'Almeida 18, 8100-720 Loulé
Preço
Entrada livre
Artistas: Angelo Gonçalves, Bruno Grilo, Leandro Marques, Miguel Cheta, Pedro Cabral Santo, Sara Navarro, Susana de Medeiros e Xana

O que define o lugar da praia e o torna único, quais são as suas conexões e distinções relativas a outros espaços? Serão os ritmos ditados pelo mar e pelo sol no verão e no inverno? O sabor da proximidade com o oceano, o levante e a luz intensa reflectida nas águas do Atlântico? Texturas arenosas que moldam os passos..., ou os tons terrosos das falésias que desenham o horizonte? Será o modo de viver que daqui emerge e o humor de quem acolhe o outro com um misto de generosidade e reserva, cujas palavras e expressões são carregadas de maresia? Um potencial benéfico ao pensamento artístico advém das múltiplas formas de descrever o azul, das nuances do calor, do frescor do amanhecer e até da resistência ao cansaço que o verão pode trazer.

As fronteiras são marcadas por falésias e arribas, grutas e algares, estuários e rias ou traçadas de modo artificial, estas permitem viajar pelas memórias geológicas e transformações dos solos e mares que moldaram a vida humana e não humana. Imaginamos como o sal, o sol e o fluxo constante de viajantes e locais transformaram as gentes, as tradições e as paisagens: Quais são as marcas deixadas pela praia enquanto território vivo? Tendo em conta estas e outras questões, estamos no Sul de Portugal numa exploração do presente e numa tentativa de projeção do futuro.

O Algarve tem a praia inscrita no seu imaginário e na sua economia, sendo simultaneamente uma realidade concreta e um espaço de imaginação e, como todos os lugares turísticos, os diferentes lugares encontram-se localizados entre a realidade do espaço, sempre contestável, e um imaginário facilmente disponível e recriado para assim o ser. Praticamente, desde o seu início, o turismo e os destinos turísticos foram capitalizados pela imaginação. Estamos sempre conscientes de que as nossas cidades funcionam tanto como um território imaginado pelo “capital”, como um lugar definido pelas realidades quotidianas.

Mas de que forma se traduz essa cultura da beach em matéria sensível, em art, em criação artística? O que dizem as imagens, os gestos, as palavras e os sons que emergem deste território? Como podem as práticas artísticas capturar não apenas o cenário, o love, mas também o quotidiano e suas as dinâmicas invisíveis? Este foi o lugar de encontro e de lazer que serviu como pano de fundo de um espaço para pensar formas alternativas de viver e simultaneamente levar a arte contemporânea a um momento incomum.

No verão de 2024, o Projeto Guarda-Sol reuniu um grupo de artistas para intervir na paisagem marítima, explorando a praia e o objeto guarda-sol como espaço expositivo, laboratório e metáfora. A circulação do Projeto Guarda-Sol por várias praias, e o envolvimento de um conjunto de artistas, pretendeu, de alguma forma, “democratizar” a arte. A transformação da prática de fazer arte numa presença quotidiana da vida da população, em vez de numa atividade por vezes “elitista”, permite o contacto com o projeto expositivo das pessoas locais que podem ter pouco tempo ou vontade para se deslocarem a um museu ou galeria, e leva aos turistas experiências visuais e culturais enriquecedoras.

Este movimento estende-se agora à Galeria Alfaia, onde novas obras transportam consigo a energia da experimentação e do improviso, da convivência entre o natural e o construído, da resistência e da adaptação. As criações aqui apresentadas não tentam fixar a praia numa imagem estática, mas antes revelar as suas múltiplas camadas – a sua ecologia, economia, bem como também a sua linguagem e rituais, os fluxos humanos e materiais que a atravessam. Mais do que um arquivo, esta exposição é um mapeamento em aberto que convida à deriva pelos gestos e sentidos que fazem da praia um território inspirador e por (re)descobrir. É traçado um mapa afetivo onde o sol e o mar, o sal e a arte são protagonistas, mas também as memórias dos visitantes sazonais e as vozes dos artistas que vivem e pensam este espaço levantam questões sobre as mudanças climáticas, a pressão turística e a necessidade de preservar o que é único.

Através de instalações, esculturas, imagens, objetos e desenhos, os artistas convocam a praia como um espaço de especulação e transformação. No espaço físico e temporal decorrido desde a concretização do Projeto Guarda-Sol até à exposição “Praia, Arte and Love”, surge um conceito auto consciente que gera um vórtice de arte e vida, e abre um espaço tentador entre as disciplinas das artes, geografia, história, arqueologia e sociologia. Esta nova proposta de diálogo fragmenta a paisagem a cada instante, com uma visão consciente da força do passado que o molda, onde as tradições e novos olhares curiosos se encontram. Não se pretende cristalizar a ideia de um paraíso intocado ou cápsula de memória, mas sim reconhecer e acompanhar um lugar que se reinventa na relação entre o local e o global.

“Praia, Arte and Love” foi uma exposição comissariada pela Galeria Alfaia.

Atividades paralelas:
26 de abril: “Make me Sound” performance por Marcelo Araújo
maio (data a confirmar): “Arquitectura como Meio de Resistência” - Aula/conversa com arquiteto José Alberto Alegria
13 e 14 de junho: Finissage, lançamento da publicação e conversa com os artistas
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