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As vidas secretas do Coro Gulbenkian reveladas em documentário

“Coro” chega agora aos cinemas. O documentário de Edgar Ferreira retrata as vidas dos coralistas fora dos ensaios. São médicos, enfermeiros, professores, advogados que, depois de um dia de trabalho, dedicam mais de duas horas ao coro.

“Cantando eu muito mal, passei, secretamente a fazer parte do Coro Gulbenkian”, diz a rir Edgar Ferreira, o autor do documentário “Coro”, que estreia quinta-feira nas salas de cinema. O filme revela as vidas paralelas dos elementos que compõem um dos coros portugueses mais conceituados a nível internacional.

Com a sua câmara ao ombro, Edgar Ferreira seguiu a vida de vários elementos do Coro Gulbenkian criado há 60 anos. Além de coralistas, são médicos, enfermeiros, artistas plásticos, professores ou advogados. É desta massa humana e profissional que se faz o coro.

Em entrevista o realizador explica que quando o coro está em palco “vemos uma única entidade”, mas esta entidade é formada por várias “personalidades”.

“Ao destacar o individual, ou seja, ao personalizar percebemos que esta massa que nos aparece como uma entidade só, é composta por pessoas que têm caraterísticas muito distintas, anseios, desejos, vontades, procuras diferentes. Ao tentar ir buscar a cada uma delas características, acabamos por conseguir definir melhor o que é o coro”, explica Edgar Ferreira.

No filme surge, ao espetador, um retrato “humano” do Coro Gulbenkian. Vemos desde um artista plástico que desenvolve o seu trabalho em solidão, mas que no coro encontra o trabalho conjunto que lhe falta, até a um médico que assiste vidas no limite e que no coro encontra a redenção.

“Muitas pessoas encontram coisas diferentes no coro. Para alguns será catarse, para outros redenção ou comunhão e a possibilidade de fazer qualquer coisa em grupo. Para outros será a atenção para com o próximo. Acho que isso é muito presente no trabalho do coro em que há esta diluição de vozes, sem perdermos a identidade, mas numa tentativa continua de chegar ao outro.”

Questionamos por isso, Edgar Ferreira, se as diferentes profissões que marcam as vidas destes coralistas fazem deles melhores intérpretes. O realizador assume que essa é uma questão que o próprio documentário quer lançar.

“É uma questão que fica em aberto. Se de facto essas vidas paralelas, essa carga das oito horas de trabalho diário que depois são complementadas com mais duas horas de ensaio, se isso se traduz ou não num fardo ou se resulta numa característica intrínseca da qualidade do som do coro”, indica Edgar Ferreira.

Esta diversidade é filmada de forma cuidada pelo cineasta que já antes tinha realizado um documentário sobre a Orquestra Gulbenkian. Agora com “Coro”, Edgar Ferreira fala em dois trabalhos “complementares”. “Acabam por ser dois agrupamentos artísticos que estão muito ligados e fez muito sentido fazer agora o coro”, sublinha.

 


por Maria João Costa in Renascença | 2 de abril de 2025
Notícia no âmbito da parceira Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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