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Entre a ternura e a realidade política de Angola, um romance que podia ser um ensaio sobre a tolerância
O novo romance do autor vencedor do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2023.

Um Pássaro na Lua, de José Luís Mendonça, podia ser, à maneira de John Locke, um ensaio sobre a tolerância. Mas é ficção.
Conta-nos a estória quase sobrenatural de Kahitu, personagem nascida com a síndrome de Tetra-Amelia. Segundo a tradição, essa anomalia física é maldição de Ngandu (o jacaré). Mesmo com essa condição, Kahitu chega a presidente de Angola.
O seu nome fora-lhe atribuído pelo pai, piloto civil que conviveu com o escritor Uanhenga Xitu na prisão do Tarrafal e que viu este escrever a estória do verdadeiro Kahitu, deficiente físico inconformado.
Graças à proteção da sua antepassada, a tataravó Madya dya Kanhoca que quebra a maldição, e ao dom sobrenatural de cura que adquiriu durante anos de imobilidade e mudez, Kahitu granjeia o amor do povo e a simpatia dos altos membros do partido no poder, ganhando as eleições.
Romance permeado pelo pólen da afetividade, Um Pássaro na Lua, de José Luís Mendonça, revela-nos os sintomas da profunda degenerescência do regime político vigente em Angola, desde 1975, escalpelizando a má governação, a pobreza e a repressão que o caracteriza.
José Luís Mendonça nasceu em 1955 em Angola. É uma das vozes mais marcantes da literatura angolana, estando também publicado em Portugal, no Brasil e na Suécia. Recebeu duas vezes o Prémio de Poesia Sagrada Esperança, o Prémio Sonangol de Literatura e do Prémio Angola Trinta Anos. Em 2015, foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura. Em Portugal, foi distinguido, em 2023, com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia (Angola).
Categoria(s): Ficção, Romance
Nº de Páginas: 160
Ano de Edição: Abril 2025
ISBN: 978-989-576-176-0
Formato: 15x23
Capa: Brochado
Guerra & Paz