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Engolir a amargura e aceitar o destino

Singular publica "Os Lótus Dourados", a inspiradora história de duas mulheres de lados opostos da sociedade chinesa do século XIX e a sua extraordinária jornada de sororidade, traição, amor e triunfo. 

Na China imperial, até o rapazinho mais pobre podia ter esperança de se tornar um mandarim, se fosse inteligente e aplicado, mas para uma menina a única hipótese de alcançar uma vida melhor era ter «lótus dourados». Esse costume ancestral, ainda que bárbaro, de enfaixar os pés logo na mais tenra idade era prova de bondade de uma rapariga e sinónimo de elegância, virtuosismo e ascensão social graças a um eventual bom casamento. Os pezinhos minúsculos eram por isso fonte de inveja, também, entre mulheres. Como descobrimos na estreia literária de Jane Yang, naquele tempo e espaço, as mulheres, fossem plebeias ou nobres, primeira esposa ou esposas inferiores, eram lançadas umas contra as outras, lutando entre si por migalhas de poder e segurança.

Inspirado nos percursos das avós da própria autora – uma de origens humildes e outra privilegiada socialmente –, Os Lótus Dourados falam desta ausência de sororidade imposta por uma sociedade patriarcal, e dos pequenos oásis de cumplicidade e abnegação feminina tentando romper com a mentalidade vigente. «A vida é mais fácil para aqueles que são capazes de engolir a amargura e aceitar o seu destino», dita o texto. Mas não para Florzinha, a heroína desta narrativa que, usando o talento para os bordados, se atreve a tecer o futuro com que sempre sonhou.

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 6 de março de 2025. 

SOBRE O LIVRO
Os Lótus Dourados
Na China do século XIX, os pés enfaixados, ou «lótus dourados», são a marca de uma mulher honrada, eclipsando a beleza, um dote e até mesmo a linhagem na negociação de um casamento. Quando, ainda criança, Florzinha é comprada pela família rica dos Fong para se tornar a muizai – uma criada – de Linjing, é obrigada a viver em servidão até que a sua senhora a venda ou lhe arranje um marido. Porém, Florzinha não só tem os pés enfaixados, o que é invulgar numa muizai, como é extraordinariamente dotada para o bordado, ambas características associadas às classes sociais mais altas – e a menina agarra-se à esperança de que, um dia, tais atributos se tornem o seu passaporte para a liberdade. No entanto, ressentida com os talentos de Florzinha e enciumada pela clara preferência da mãe, Linjing tudo faz para impedir que a serva ascenda socialmente ou se torne uma mulher livre. Ao longo dos anos, as duas raparigas ver-se-ão enredadas numa relação desigual e tensa, sendo forçadas a trabalhar em conjunto para garantir o futuro de ambas através do casamento de Linjing. Até que um escândalo atinge a família Fong, e as vidas de Linjing e Florzinha são inesperadamente lançadas no caos. A queda de Linjing abre novas oportunidades para Florzinha – mas será que os seus destinos entrelaçados levarão ao triunfo ou à tragédia?

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Título: Os Lótus Dourados
Autora: Jane Yang
Tradução: Maria de Fátima Carmo
Páginas: 368
PVP: 19,99€ 

CRÍTICAS

«Yang estreia-se com um retrato fascinante da ambição e da crueldade na China do século XIX. [...] O enredo de Yang, os pormenores históricos e as suas nuances resultam numa narrativa excecional que encanta da primeira à última página.»
Publishers Weekly

«Yang pinta paisagens exuberantes neste conto [...] sobre sororidade, amor e estatuto. Uma estreia espantosa para os fãs de ficção histórica que apreciam protagonistas femininas complexas.»
Booklist

«Os Lótus Dourados é uma narrativa profundamente comovente sobre classe, ambição e amizade, tendo como pano de fundo uma rígida hierarquia social.»
SheReads

SOBRE O AUTOR

Jane Yang
Nasceu no enclave chinês de Saigão e foi criada na Austrália, onde cresceu à sombra das superstições e das histórias de família da antiga China. Apesar de uma brilhante carreira científica, primeiro como farmacêutica e mais tarde como investigadora clínica, continua dividida entre o pensamento moderno e racional e a atração pelas velhas crenças passadas de geração em geração. 
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